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Bu - I
O ocaso da cidade de Bu deu-se logo após a destruição completa de sua ilustre vizinha, Mu. Nada se sabe sobre Mu.
De repente Bu não era mais opaca, estava perdendo seu cheiro e já não emitia som algum. Lentamente deixava de existir. Assim como já havia acontecido com Mu, Bu deixava de causar efeito nas coisas.
As próprias coisas iam deixando de ser coisas, para serem apenas idéias que iam se perder com o fim da cidade. Os bueiros, as pessoas nascidas em Bu, iam, há muito, morrendo. A decadência nem se via, porque ia soterrada em ruína, choro, urro e pó. O que restava era somente uma pesada, viscosa e trágica bruma. Uma nem tão efêmera lembrança do que outrora tinha sido belo, vistoso e motivo de orgulho. Exuberância, que de certa forma teve influência no declínio de Bu.
Escrito por Los Barbas às 14h34
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à Vontade
De tempos em tempos, a gente se sente com vontade. Mas a vontade é coisa que dá e passa, como dizem mães por aí. O maior problema é que, vontade acabando, vem outra vontade pra tomar sua cabeça. Não. A sua cabeça; porque a minha é a própria vontade. E, como a vontade, minha cabeça também passa... mas volta pra me tomar de novo. Cada hora com uma cabeça e uma subseqüente formação - eu não possuo nome. Ou melhor, tenho vários nomes. Por evento dessas mudanças, perdi meus amigos, família e função social. Mas o importante é que eu sou feliz. Como um tratorzinho falante, eu sou feliz. Roncando através de uma de minhas cabeças, sou feliz. Como batendo caçambas de metal em ruas de paralelepípedos muito pouco paralelos, eu sou assim mesmo, feliz. Porém, a felicidade é feliz-idade, e a idade feliz sempre pertence ao meu passado. O tempo todo eu fico mais velho... Sonho com a minha morte como a possibilidade de me livrar dessa feliz-idade, e sentir, finalmente, todas as felicidades de uma só vez. Todas as felicidades ressoariam em todas as minhas cabeças, e o barulho dos roncos e caçambas se organizariam numa melodia celestial, feita de vento e cachaça - aromas do alto em correntes contínuas das altas esferas. Música inaudível para ser escutada por todos. Me chamam humanidade, meu fim é não ter fim.
Escrito por Los Barbas às 14h27
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